A tal retomada da economia em “Curva V” ou em “Curva U”


Sabe-se que a crise do covid-19 teve seu início na China, no final de dezembro. Também, se sabe que um mês depois, o país parou totalmente, pois fechou praticamente todas suas fábricas, não relacionadas a área médica, e com isso também encerrou todo o comércio. Milhões de chineses foram obrigados a entrar em quarentena. Obviamente o impacto de tudo isso, na economia local, foi devastador. Pois, a segunda maior economia do mundo, depois da americana, estava derrubada, no chão. Porém, dois meses depois, a pandemia local estava controlada,  e as empresas estavam retomando suas atividades. Isto quer dizer que foi uma economia que desenhou na história da China uma “Curva V”, isto é, caiu com força e logo achou um ponto de virada para subir com a mesma força.

Não é difícil encontrar dados evidenciando que 75% de toda a capacidade produtiva da china foi retomada. E teve seus reflexos no varejo, como mostrou a Xiaomi, que é a terceira maior fabricante de smartphones do mundo, que diz que suas vendas foram retomadas em 90%. Portanto, a atividade industrial chinesa cresceu em março, segundo o índice PMI.

Porém, esse fenômeno não é natural, ou seja, não é um padrão que vai necessariamente se repetir em outros lugares. Aqui, o Brasil teve primeiro um certo ceticismo, achando que não chegaria aqui com a mesma força que chegou na Itália e ao resto da Europa, e passou um carnaval tranquilo, afinal já estava tudo preparado, com um ano de antecedência, pois quando termina um carnaval, já começa a se preparar o próximo; pois, como diria o Pe. Anchieta, essa é a única alegria que existe para a maioria do povo brasileiro que sofre pela exploração vertical. Depois da alegria, rapidamente se estabelece uma rápida ascensão do trabalho remoto, o tal Home Office, tema que já foi objeto de três artigos meus.

Partindo da afirmação que a “Diversidade não é moda, não é tendência, é uma questão de sobrevivência para as empresas”, foi necessária a transformação do varejo se adequando às vendas online. Agora, como não há outra alternativa para os serviços não-essenciais, as empresas se viram obrigadas a fechar ou lutar com a redução de funcionários para não terem uma carga pesada e comprometer os poucos recursos financeiros que têm.

Voltando ao assunto varejo o Bruno Reis que é um brasileiro que trabalha na Doordash, startup do Vale do Silício de entregas. Ele descreveu a economia sob demanda em quatro pilares: tecnologia, sustentabilidade, comunidade e consumidores. Empresas como Airbnb, a própria Doordash, a Uber, Dog Hero e empresas semelhantes oferecem serviços de intermediação para os prestadores e clientes, suprindo uma demanda antes não atendida ou diminuindo as fricções. Neste modelo de negócio, o acesso é mais prático e desejável do que a propriedade.

Dois meses depois da pandemia se estabelecer no Brasil, muitas empresas perceberam que o padrão de compra dos seus clientes "mudou bastante" desde que a crise começou. Então se sua empresa quer sair mais forte, precisa pensar numa estratégia urgente para a retomada de suas atividades, e portanto, do seu faturamento. É importante pensar na estratégia de como satisfazer o novo padrão de consumo do seu cliente. Se inspire na Uber, Spotify e Airbnb que nasceram em 2008, em plena crise mundial, e são usadas como exemplo de como aproveitar as oportunidades da crise.

É percebido que muitas empresas estão com dificuldade de oferecer seus produtos para novos clientes, pelo fato de não conseguirem uma abordagem pessoalmente. Certamente há um motivo para isso estar acontecendo: produtos e serviços que antes faziam parte dos desejos, hoje passaram para o final da lista de compras. Portanto, o conselho é reinventar sua comunicação e posicionar seu produto como um item de valor, ou pelo menos como novidade para seu cliente na internet, através das mídias sociais. O mundo mudou, e continuará mudando mais rapidamente daqui para frente, portanto a retomada da economia por aqui está longe de ser uma “Curva V” e mais parece uma “Curva U” ou quiçá um Ômega invertido.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Solução é o Bom Respeito nas Empresas

O Problema é a Remuneração dos Talentos nas Empresas