O problema é ser Gestor ou Chefe nas Empresas
A forma
de lidar com pessoas e processos nas empresa, tem mudado muito na atualidade,
se comparados com décadas anteriores, por isso, hoje em dia não se fala mais de
chefe e sim de gestor. Todo mundo entende e aceita como verdadeiro que nenhum
chefe é gestor líder; porque ser gestor é ter outra dimensão como ser humano. A
pessoa que aceitou exercer um cargo de gestor aceitou juntamente com isso a
limitação de si mesmo como ser humano e automaticamente, isso implica aceitar a
limitação de todos os que o cercam, assim com a tarefa de tratar tecnicamente
de tudo, pois será cobrado por tudo. E ai está uma das grandes dificuldades dos
gestores modernos que por um lado precisam conhecer o ofício que pratica e por
outro lado ser grandes humanistas na hora de liderar pessoas. Ao chefe falta a grandeza
para entender e perceber que a vida não é feita apenas de acertos ou erros, de
brancos ou pretos, de bons e maus, pois sua beleza está justamente nas nuances
de cores e na riqueza de suas variações.
O chefe
é visto, comumente, como um técnico que se dispôs a realizar determinado
trabalho por intermédio de pessoas. O gestor é um ser humano que se dispôs e
assumiu a realização de uma missão com as pessoas que fazem parte da sua equipe.
Chefe e gestor são totalmente diversos, pois o gestor não é o chefe melhorado,
mas sim uma outra forma de ser, de viver e de se realizar como ser humano acima
de tudo. Hoje em dia ninguém é obrigado a trabalhar para ninguém o tempo da
escravidão passou. Outro aspecto importante é a motivação, a do chefe é
material, portanto, temporal; a do gestor é espiritual, portanto ultrapassa as
barreiras humanas de tempo e espaço. O chefe quer que as coisas sejam feitas da
forma certa; o gestor quer que as coisas certas sejam feitas, não importando de
que forma. Para o chefe, o erro é sempre um problema grave e sinônimo de
custo/desperdício; para o gestor, o erro é uma lição para incrementar melhorias
constantes. O chefe pensa e fala na primeira pessoa do singular o “eu”; o gestor
pensa e fala na primeira pessoa do plural o “nós”.
Obviamente
é percebível a primeira vista que existe uma total incompatibilidade entre as
duas funções ou papeis. Por um lado o chefe olha para o passado e quer fazer o
presente sem ver o futuro; por outro o gestor olha sempre para o futuro
encarando-o como seu objetivo primordial para fazer o presente esquecendo o
passado porque já aprendeu com ele. Com toda esta descrição analisada não se
pretende mostrar, em absoluto, que existe um bom (gestor) e outro ruim (chefe).
Não há policiais e bandidos nesta história, pois parece a primeira vista que
foi feita uma apologia sobre o gestor, e na verdade procura-se mostrar que
existem competências diferentes, isto é, que em alguns momentos o chefe é a
melhor solução e em outros a gestão humana é a melhor alternativa para as
empresas, vai depender da necessidade da mesma e do objetivo da diretoria para
escolher aonde quer chegar e como quer ser conhecida no mercado e na
concorrência.
Fica
claro que o exercício da gestão exige muito mais talento e competência que o da
chefia. Para esta basta sentar na cadeira do chefe e exercer controles
mecânicos, basta saber planejar, organizar, coordenar, controlar e corrigir. Já
para a gestão se faz necessário ter também sensibilidade, arte, intuição e
total dedicação à equipe composta de seres humanos não padronizados, mas com
diversas qualidades e defeitos. Portanto a gestão, acima de tudo, ocupa-se com
o interior das pessoas e a partir daí constrói sua obra. O verdadeiro gestor constrói
e melhora pessoas. O gestor é ao mesmo tempo flexível e inflexível, algo que o
tradicional chefe jamais seria capaz de ser. O gestor é totalmente inflexível
quanto aos fins, aos objetivos, ao que tem de ser feito, mas é totalmente
flexível quanto aos meios. Pois tem consciência para entender que, embora saiba
muitas coisas, jamais saberá tudo, que todos os que participam da obra precisam
tanto quanto ele se realizar ao fazer o trabalho e, principalmente, que todos
conhecem formas e soluções diferentes que ele desconhece.
Para
ser gestor é preciso, além de ter nascido com talento e dom, exercitar a
liderança: testar a si mesmo seguidamente, estudar com profundidade a natureza
humana, desenvolver a sensibilidade e a intuição; em resumo ser um grande
humanista, quer dizer, gostar de pessoas mesmo. Pois ele cativa as pessoas pelo
comportamento e pela ética. Não há dois pesos e duas medidas e a sua
flexibilidade jamais será amoral. As pessoas da sua equipe e seus superiores sentem
que podem confiar plenamente nele, em qualquer circunstância, pois ele nunca as
desapontara. O gestor é todo ser capaz de realizar mudanças com amor e coragem,
o que em absoluto não significa que ele aceite ou se torne conivente com
qualquer deslize, ou seja, o “bonzinho” da turma.
O poder
do chefe reside no cargo, isto é, foi-lhe conferido de cima para baixo pela
hierarquia da empresa, e o poder do gestor reside nele mesmo, seu poder não é
recebido da hierarquia, mas conquistado pelo seu agir. O que significa que para
o exercício da gestão não se faz absolutamente necessário ter cargo, basta ser.
O poder que se confere ao chefe, por ter sua origem na hierarquia, cria medo
nas pessoas; o poder do gestor é uma das ferramentas que ele tem para atrair,
aproximar e unir cada vez mais as pessoas em torno dele e do objetivo coletivo
a ser atingido. Sempre foi estudada a liderança a partir dos conceitos de
chefia. Isso é um tremendo equívoco, pois não se chegará nunca ao amanhã
partindo do ontem. É preciso começar a desassociar completamente os dois
papéis. Não há nada de errado em ser chefe e há situações e momentos em que
basta ser chefe, mas quando se fazem comparações fica sempre a sensação de que
não ser gestor é um defeito grave, o que não é absolutamente verdade. Seria o
mesmo que dizer que para ser médica a pessoa não possa ser enfermeira.
Será
que contratar verdadeiros gestores é a grande solução para todos os problemas e
situações que se apresentam no dia-a-dia da empresa? E quando o gestor dá um
murro na mesa? Ele “desceu” de sua condição de gestor e se tornou “apenas”
chefe? Não há compatibilidade alguma entre as duas funções? Portanto, partir da
comparação entre elas leva a permanentes equívocos.
Elías Nova Nova
Pós-graduado em Gestão Estratégica
de Pessoas para Negócios
Pós-graduado em Consultoria Empresarial
e-mail: eliasnova@gmail.com
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